terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cultura barroca, segundo J. A. Maravall

Maravall propõe uma interpretação da cultura barroca a partir do significado e de seus caracteres, de modo a colocar em evidência as condições sociais que contribuem para a sua formação e transformação. Trata-se, em suma, de pensar a cultura em relação com as condições históricas, estabelecendo relações recíprocas entre elas. Daí a idéia de que o barroco é um conceito de época, isto é, datado historicamente, irredutível a um análise meramente formal. Para ele, a cultura barroca surge de uma situação histórica muito específica. Esta visão de uma cultura totalmente integrada às condições sociais vai resultar, na análise de Maravall, no prolongamento de caracteres culturais na estrutura histórica. Assim, o mercantilismo, enquanto política econômica regida pela competição, dá lugar à concepção dos homens como seres altamente competitivos, em luta entre si. O princípio do movimento pode ser localizado tanto nas manifestações artísticas quanto nos tratados políticos, na medicina, na filosofia, etc. Segundo Maravall, “seu método consiste em levar em consideração o máximo de dados constatáveis e os mais diversos do quanto uma época ofereça, para interpretá-los no organismo em que se integram”. Daí o fato de que a investigação de Maravall procede a um inventário morfológico de fenômenos oriundos de campos diversos, de modo a estabelecer ligações entre eles. Segundo ele, “acreditamos firmemente que, em um momento dado, em qualquer campo dos fatos humanos, possa-se falar coerentemente de barroco”. É fundamental observar que, para Maravall, é impossível falar de uma cultura barroca apenas do ponto de vista da arte; cultura e história social estão intimamente ligadas.

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